O que interessa

Hoje, numa frequência de rádio discutia-se o já tabu e bem batido assunto do estado deplorável e lamentável do sistema nacional de saúde pública, que com base nos resultados apresentados pelo INE, no último ano tratou menos utentes, diminuiu o número de camas, diminuiu o número de centros de saúde e serviços, diminuiu o número de enfermeiros e médicos, diminuiu os custos inerentes a todas estas questões e, descaradamente a dívida desse sistema continua a galopar e a qualidade do mesmo, outrora exemplar é agora tida como um exemplo a não seguir.

No entanto, temos dos melhores profissionais que o sector pode produzir, com uma facilidade enorme em arranjar emprego no estrangeiro, que apesar de condições excepcionais, não consegue produzir os mesmos, com grau de qualidade e versatilidade semelhante aos produzidos por cá.

Ao mesmo tempo, os serviços privados de saúde aumentam em todas as frentes, tornando o fosso para o serviço público cada vez maior e mais notório, enfatizando as teorias de alguns ao afirmar que nos dias de hoje e no futuro, haverá saúde para pobres e saúde para ricos, saúde eficaz e saúde remediada, saúde para viver e saúde para morrer, desprovendo a segurança social do seu significado.

Segurança Social esta que, como se não bastasse não ser capaz de facultar um ensino público como pressuposto, com qualidade, apontando as culpas de um sistema devoluto e sem visão àqueles que são os mais importantes intervenientes na formação e educação das novas gerações – os professores, vem agora mostrar as verdadeiras ideologias altruístas de uns quantos personagens (a)democraticamente eleitos, no que diz respeito aos direitos daqueles que supostamente deveriam ser governados, que é como quem diz, liderados e conduzidos no caminho da vida social com qualidade e segurança.

Não interessa se as camas foram diminuídas nos hospitais militares ou nos hospitais públicos.

Não interessa, se os serviços foram diminuídos nuns locais em detrimento de outros, não interessa.

Simplesmente interessa aquilo que está à vista desarmada de qualquer azarado que necessite de recorrer a qualquer um desses serviços ditos públicos, sim ditos, pois pagar taxas moderadoras de 20 ou 30 euros para além dos descontos já efectuados para a segurança social é que interessa. É isso que faz mossa no orçamento do sr. Fernando, de 73 anos, diabético e com reforma de 145€, que labutou toda uma vida para a sua reforma ou da dona Albertina de 52, com 4 filhos adultos, 2 dos quais, como se não bastasse, se viram forçados a voltar para casa, abandonando aquela vida que outrora tiveram, falsamente organizada, por terem perdido o emprego. E não foi por estarem doentes mas por esse emprego ter adoecido, infectado pelas políticas inúteis e incompetentes tomadas pelas pessoas que foram eleitas pelos que deviam ser protegidos.

O que interessa é isto. O facto de o dinheiro que estava ou deveria estar nos bolsos das pessoas, estar agora nos cofres do estado. Esses cofres, abastadamente desgovernados, sem qualquer tipo de preocupação social.

O que interessa é o facto de um jovem recém formado, especializado em determinada área, se ver obrigado, como se conspurcadamente, a aceitar trabalhar por um ordenado miserável, a troco de um recibo verde, por vezes falso, sem qualquer perspectiva de futuro, segurança ou carreira.

O que interessa é o facto de nem todos terem sido abençoados com a cruz da jotinha, ou das bandeirolas enquanto adolescente para que, quando adulto, sem qualquer prova dada ou demonstrada, venha a assumir um qualquer cargo de importância maior salvo raras excepções. Curtas e raras excepções.

Em suma, o que interessa é tudo isto e muito mais e não a estatística das coisas, ou a matemática dos coisos.

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