(H)a febre no interior

Muito se disse durante os últimos dias acerca das propostas deste governo com a finalidade de estimular os profissionais da medicina a deslocarem-se para o interior do país.

Sem querer ofender os demais que, defendendo o seu ponto de vista, em plena rádio pública, afirmaram que, e cito “ir para o interior do país, (como se de uma doença se tratasse), a ganhar a módica quantia de 7 ou 8 €/h era absurdo e em nada honraria a profissão de médico que, nessas condições ganhariam menos que um simples mecânico” é, para mim, que nada percebo de medicina e pouco ou nada de mecânica, bastante óbvio que valores como 7 ou 8 €/h, em profissões que não prevejam a possibilidade de “fazer crescer” o próprio ordenado, através de métodos como a atribuição de prémios e/ou comissões mediante os resultados apresentados, não são suficientemente estimulantes, seja para o médico, para o mecânico ou para o porteiro de hotel.

Sou claramente a favor do enriquecimento dos pobres em detrimento do empobrecimento (forçado) dos ricos (deixando de parte os intocáveis milionarios), proporcionando a todos, sem excepção, a possibilidade de fazer parte integrante, enquanto consumidores, do crescimento e dinamização da economia.

No entanto, embora defensor dos sistemas de remuneração mediante apresentação de resultados, tenho plena noção que existem (ainda) profissões em que tal não pode ser aplicado.

Mas não é neste sentido que venho expor a minha opinião em relação a esta “febre” que paira sobre o interior, até porque, por este andar e num futuro muito próximo, nem que queiram pagar às classes médicas ordenados milionários de estrelas do futebol, a verdade é que os médicos não serão necessários. E nesse seguimento, nem os mecânicos, nem os sapateiros e, no final da cadeia, nem os cangalheiros.

Parece-me bastante óbvio e de fácil sapiência que, não havendo pessoas, não há doentes e, portanto, não serão precisos médicos, nem automóveis, nem sapatos, nem caixões.

Por mais que inventem estratégias de mobilização de médicos ou qualquer outro profissional para o interior do país, nada mais serão do que “pensos rápidos” e demagogias eleitorais pois, uma vez mais, substituem-se telhas de casas iniciadas pelo telhado, ignorando o facto de não haver fundações suficientemente resistentes para o aguentar

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